sexta-feira, 12 de junho de 2009

não cres cer

talvez ainda possas ser criança.
lembra-te da pureza do teu olhar,
do orvalho que aprimorava o teu infinito,
das asas azuis que pintavas,
para poderes, ainda hoje,
voar com a força da saudade.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

insólito da noite de chuva

um cigarro perguntou-me porque o fumava e depois morreu.

consciência minor

estive aí.

não fiquei.

fui e vim,
um número ímpar de vezes.
talvez não tenha ficado.
talvez...

ao primeiro fechar de olhos,
partilhar-me-ia.
contra o vento,
contra os medos,
contra a balança,
nossa.

partilharia este corpo,
com outro corpo,
teu.

mas meu ser
neste corpo,
meu,
poderia haver aí!

não fosse ele
pouco eloquente.
ao ponto de se contradizer ao espelho
com um não!,
ou de dizer sim!,
irremediavelmente,
com a convicção do inconsciente.

terça-feira, 2 de junho de 2009

grito de água

há sons que tremeluzem ao som do coração.
um deles, é o próprio.
tremeluz ao se tremulecer,
faísca de si próprio
continua a bater.
e já se confunde
com as ondas
com o mar
com o ar
o som fugaz e voraz
torna-se sereno e ameno
num derramar de veneno
ouve-se o mar a arder.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

entreaberto

(depois) (antes)
primeiro estranhei,
depois estranhou-se-me,
depois acordei...
e agora, cheio de sono, já não quero dormir!
faz-me mal,
faz-me muito mal.
sonâmbulo, sou feliz!
mas quero ser um sonâmbulo ao contrário.
(antes) (depois)